Por Patrícia Lisboa

As aulas presenciais nas escolas da rede municipal de ensino, em Indaiatuba, foram retomadas, nesta segunda-feira (8/2), com protocolo de segurança e limite de alunos reduzido a 20% da capacidade – o que significa ter até seis alunos em cada sala de aula. Nesse esquema, cada aluno frequenta a escola uma vez por semana.

Nesta manhã, a reportagem acompanhou a recepção de pais e estudantes, na Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Profª Maria Benedicta Guimarães, no Jardim Morada do Sol.

A unidade escolar tem cerca de 650 alunos matriculados no ensino fundamental (do 1º ao 5º ano). São 11 salas para os períodos da manhã e da tarde. Hoje, as salas – que normalmente atenderiam 30 alunos – receberam de quatro a seis estudantes.
Para a diretora da escola, Julia Lima Prado, no período da manhã, a adesão foi considerada boa, para o primeiro dia de volta às aulas.

CUIDADOS

As adequações para evitar o risco de contágio pelo novo coronavírus, que causa a covid-19, começam já nos portões da escola. A entrada dos alunos é feita com um intervalo de 30 minutos – às 7h e, depois, às 7h30 – para evitar aglomerações do lado externo da escola. A saída acontece da mesma forma, às 11h e às 11h30, para a turma da manhã.

Na entrada, é conferido se o aluno está na lista de convocação para aquele dia de aula. Também é feita a aferição da temperatura. Alunos com febre não entram. Hoje, não houve nenhum caso. Há totens com álcool em gel na entrada e em outras áreas comuns da escola.Na sala de aula, a separação das carteiras garante o distanciamento social. Os materiais escolares são individuais. Todos usam máscara o tempo todo.

Para beber água, os alunos receberam uma garrafinha individual. A capacidade do refeitório também foi reduzida para evitar que as crianças se aglomerem. O intervalo para o lanche é escalonado e os alimentos são embalados.A diretora da escola contou que os funcionários passaram por um curso de formação dos protocolos de segurança e que todos estão preparados para a volta às aulas. Segundo ela, a escola está abastecida com os produtos necessários para a higienização.

“Na semana passada, eu também fiz reunião remota com os pais para divulgar a escala de aula dos alunos”, disse a diretora.

PARALISAÇÃO

De acordo com a diretora, na Emeb Maria Benedicta, uma professora de educação física aderiu à paralisação de hoje contra o retorno das aulas presenciais por causa da pandemia de covid-19. O corpo docente da unidade conta com 30 professores.

EM SALA DE AULA

A professora de artes, Daiane Subtil, de 42 anos, disse que a preocupação dela é com a maneira que as crianças vão receber as mudanças feitas na escola, se vão conseguir absorver as informações sobre o comportamento de não abraçar os amiguinhos, por exemplo. Mas, segundo ela, esse primeiro dia foi tranquilo. “As crianças estão receosas até de falar”, contou. “Tenho fé que tudo vai dar certo, se todos colaborarem. A escola está fazendo a sua parte”, acrescentou.

A agente de organização escolar, Maria Nilsa Moreira dos Santos, reforça a importância dos alunos frequentarem a escola mesmo de forma gradual, uma vez por semana. “Desta maneira, os alunos vão poder ir absorvendo os protocolos de segurança aos poucos, com tranquilidade”, justifica. Para ela, o atendimento de 100% dos alunos somente será possível com a vacinação de todos e também se houver melhora da situação epidemiológica da covid-19 no município.

PAIS E ALUNOS

A bióloga Juliana Bonjorno Costa, de 36 anos, esteve na escola, nesta manhã, para conferir como está a organização e para conhecer a professora do seu filho, de 7 anos. Ela contou que, como não trabalha fora, tem a oportunidade de auxiliar o filho nas lições de casa. Por isso, o de 7 anos e também o de 11 anos, não frequentarão as aulas presenciais, neste primeiro momento. Ela assinou um termo se responsabilizando com a lição de casa do filho mais novo.

“Eu quero que eles voltem para a escola. Temos que vencer os medos. Mas, ao mesmo tempo, com os filhos, a preocupação é sempre maior. Também penso na situação dos professores. Com a vacina, teria uma segurança a mais”, opinou Juliana. “Em março, as aulas presenciais serão obrigatórias. Então, vamos observar, um dia de cada vez, até lá”, completou a mãe de alunos.

Já a irmã de Juliana, a dona de casa Eliana Bonjorno Costa, de 34 anos, levou o filho Pedro, de 7 anos, para a escola hoje. Com medo do coronavírus, ele ainda não quis ficar. Mas, a mãe afirma que concorda com a volta às aulas. “Achei que a escola está bem segura em relação aos protocolos. Agora, é preciso que ele (o filho) vá se familiarizando de novo com o ambiente escolar. Ele também precisa aprender a se comportar com a máscara. Mas, está tudo bem organizado na escola”, comentou Eliana.

Uma outra mãe de aluno, que não se identificou, também disse concordar com a volta às aulas, mas defendeu que seja por mais dias e não apenas um dia por semana. “As crianças acabam indo em parques, shoppings, então, tem que voltar para a escola também. Deveria ser por mais dias na semana. O difícil para elas vai ser ficar com a máscara o tempo todo”, disse.

Neste primeiro dia, os alunos já tiveram uma aula sobre a importância da higienização dos sapatos antes de entrar na sala de aula, de manter as mãos sempre limpas e de usar a máscara.

O que também chamou a atenção nesta volta às aulas foi o silêncio da criançada, que costuma ser mais barulhenta. Nem pareceria escola aberta. A vizinhança deve estranhar.

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