Categories: Cultura

Livro ensina a montar o quebra-cabeça chavista

Contribuir para melhor compreensão do Chavismo, com visões plurais sobre seus impactos e legados. Esta é a proposta de “Venezuela e o Chavismo em Perspectiva – Análises e Depoimentos” (editora Appris), dos autores e organizadores Paulo Velasco, professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e do jornalista Pedro Rafael Pérez.

Para apresentar olhares mais amplos e representativos, o livro conta também com autores do Equador, Colômbia e da própria Venezuela.

“É importante ir além de entendimentos simplistas e reducionistas que prevalecem sobre o tema. Combinamos análises imbuídas de maior rigor acadêmico e distanciamento científico, com relatos pessoais de quem vivenciou ou sofreu com as consequências do Chavismo”, diz Paulo Velasco, doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj.

Logo na apresentação, o leitor é convidado a analisar conceitos e ideias que se confrontam, como ditadura-democracia, vilão-herói, esquerda-direita e socialismo-capitalismo, para montar seu próprio quebra-cabeça sobre o que se passou na Venezuela a partir de 1999. O livro busca superar essas divisões superficiais e radicais sobre o fenômeno do Chavismo e sobre o próprio Chávez.

No capítulo “País polarizado em uma região desarticulada: variáveis de uma crise sem fim na Venezuela” Paulo Velasco mostra a evolução do regime chavista em um país dividido e polarizado. “A Venezuela mergulhou, ao longo da última década, em uma crise humanitária grave, com profundo avanço da pobreza e miséria, hoje superior ao período pré-Chávez.

Todos os ganhos sociais conseguidos durante a era de ouro do Chavismo, em meados dos anos 2000, se perderam”, destaca o professor. Além disso, o autor lembra que houve um brutal sucateamento da PDVSA, empresa estatal venezuelana de petróleo, fruto do desinvestimento e má gestão, levando à dramática queda na produção de petróleo, base absoluta da economia do país.

A tudo isso soma-se a perda de credibilidade macroeconômica do país, levando a um derretimento no valor do bolívar e ao avanço da inflação, que se tornou uma das maiores do mundo.

Há luz no fim do túnel da dramática realidade venezuelana? Não existem soluções mágicas e só com muito empenho e vontade política isso será possível, diz Paulo Velasco. A boa notícia é que desde o ano passado a economia do país voltou a crescer. “E, agora, no contexto da guerra na Ucrânia, os Estados Unidos de Joe Biden decidiram reduzir as sanções sobre a Venezuela para permitir avanço na oferta do petróleo venezuelano no mundo, ajudando a segurar a disparada nos preços. São fatores conjunturais positivos, mas será preciso muito mais para uma efetiva reversão do quadro de crise aguda da última década”, observa o professor.

O livro será lançado, no próximo dia 10, das 18h às 21h, na livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista 509, Bela Vista, em São Paulo.

Patricia Lisboa

Recent Posts

Colônia Helvetia realiza tradicional Festa Junina neste sábado

O cardápio reúne pratos típicos, mas, também valoriza a herança suíça da comunidade; evento também…

2 dias ago

Fundação FEAC lança 26ª edição do Prêmio de Jornalismo com foco em violência de gênero

Premiação distribuirá R$ 50 mil e reconhecerá produções jornalísticas e de comunicação sobre o tema…

5 dias ago

Datas especiais: Dia Nacional da Imprensa, Corpus Christi e Dia dos Namorados são destaques de junho de 2026

No dia 14, também é comemorado o Dia do Doador de Sangue; saiba mais

6 dias ago

Tenor Arthur Raymundo apresenta “Incanto Italiano” no Ciaei

Espetáculo acontece neste sábado, às 20h30, com entrada gratuita

3 semanas ago

Moradores do Residencial Ravenna deixam edifício por risco de acidente estrutural

Defesa Civil orientou que seja feita a interdição total do prédio de seis andares; 36…

1 mês ago

Luto oficial é decretado pela morte de José Carlos Tonin, ex-prefeito de Indaiatuba

Velório acontece na Câmara Municipal até às 15h30; sepultamento está marcado para às 16h, no…

2 meses ago